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GESTÃO DO CONHECIMENTO E ECONOMIA DE COMUNHÃO

30/01/2019
A falta de confiança para compartilhar o próprio conhecimento é um dos problemas enfrentados nas empresas.

O conhecimento tem se tornado um dos recursos mais importantes para as organizações e a sociedade como um todo. Peter Drucker em seu livro “Uma era de descontinuidade  ainda na década de 1970 já trazia o conhecimento como algo de extrema relevância para a sociedade, cunhando assim os termos sociedade do conhecimento, economia do conhecimento e trabalhador com conhecimento.

Todavia, de que forma o conhecimento tácito presente nas pessoas poderia se tornar explícito e, assim, ser útil à sociedade, à economia e às organizações? Certamente, por meio de uma tentativa de sistematização e de gestão desse conhecimento.

Você já ouviu falar em Gestão do Conhecimento ? Ela é o que possibilita que os processos de criação, compartilhamento, armazenamento e aplicação do conhecimento se tornem úteis às organizações, promovendo o aprendizado e a produtividade (DALKIR, 2011). A Gestão do Conhecimento está apoiada sobretudo em três pilares: pessoas, processos e tecnologia. Todavia, embora pareça algo bastante promissor para uma empresa, ela possui seus desafios.

DESAFIOS PARA A GESTÃO DO CONHECIMENTO NAS EMPRESAS

Os principais desafios são aqueles relacionados ao pilar pessoas, pois este é o que geralmente move ou gera obstáculos aos outros pilares da gestão do conhecimento. A falta de confiança para compartilhar o próprio conhecimento é um dos problemas enfrentados nas empresas. A noção de senso comum segundo a qual “conhecimento é poder” é outro entrave importante. As dificuldades com processos ou tecnologias ou até mesmo a falta de informação também constituem dificuldades para a Gestão do Conhecimento ser implantada e mantida nas organizações.

FATORES QUE MELHORAM OS PROCESSO DE GESTÃO DO CONHECIMENTO

Em estudo realizado por Pires, Menegassi e Tatto (2018), foram identificados alguns fatores que podem melhorar os processos em uma empresa. Dentre esses fatores estão:

– motivação;

– facilitação;

– confiança;

– direção;

– conexão;

– reconhecimento e

– reciprocidade.

Leia a pesquisa na íntegra clicando aqui.

E o que isso tem a ver com Economia de Comunhão?

PRINCÍPIOS DA ECONOMIA DE COMUNHÃO

A cultura de comunhão é um dos princípios básicos da Economia de Comunhão (EdC). Essa cultura consiste na ação das pessoas de livremente compartilharem umas com as outras aquilo que lhes é possível e segundo as necessidades que se apresentam. Essa cultura é um dos elementos unificadores da EdC. Saiba mais sobre essa cultura e sua influência no mundo empresarial clicando aqui.

Outros princípios da EdC fundamentais são:

– a ética;

– os bens relacionais;

– a reciprocidade e

– a cultura de comunhão.

De fato, “A ética é recurso que permeia a gestão de EdC e uma das bases fundamentais para construir bens relacionais. Quando os stakeholders se inserem nesse processo, há uma dinâmica de reciprocidade que passa a caracterizar o clima organizacional, bem como os relacionamentos externos” (MENEGASSI e FERNANDES, 2016, p. 275). Ler o artigo na íntegra clicando aqui.

Bens relacionais é um termo utilizado pelo economista Benedetto Gui que significa que, na esfera das relações interpessoais, criam-se bens que são relevantes também para a economia; são os bens que nascem de relacionamentos, tais como a amizade e a confiança (MENEGASSI, 2013).

E por fim, mas não esgotando o tema, pode-se citar a Teoria Axiológica de Comunhão criada por Menegassi (2013) segundo a qual a influência axiológica dos empresários e a cultura de comunhão são os elementos determinantes para a construção social dos recursos que constituem a gestão de empresas baseada na EdC. O termo axiológico se refere a conjunto de valores.

Sendo assim, podemos dizer que os valores, a cultura de comunhão, a ética, a reciprocidade e os bens relacionais fazem parte de uma base ainda mais ampla que sustenta toda a ideia e a prática da Economia de Comunhão.

PRINCÍPIOS DA ECONOMIA DE COMUNHÃO AGINDO SOBRE A GESTÃO DO CONHECIMENTO

E onde essas duas realidades EdC e GC se encontram? Como podemos observar, os fatores que melhoram os processos de GC em uma empresa podem ser positivamente influenciados pelos princípios da EDC, uma vez que esses princípios, quando vivenciados nas empresas, tendem a minimizar relações de poder e estimular a colaboração entre as pessoas, o compartilhamento de experiências, a confiança, a reciprocidade nas relações, a ética e o respeito nos relacionamentos, o que leva à facilitação dos processos de GC e a motivação para a criação e compartilhamento do conhecimento, para que ele possa ser, assim, aplicado nas organizações e útil para elas.

As relações de poder e a falta de confiança podem ser superadas pela vivência dos bens relacionais promovidos pelas atitudes éticas e de respeito recíprocas entre as pessoas dentro de um contexto de cultura de comunhão, em que as pessoas buscam o crescimento conjunto, os bons relacionamentos, o comprometimento com sua atividade produtiva e com todo o impacto que ela pode causar, tudo isso sobre a base sólida de um conjunto de valores consolidados que também caracterizam a EdC.

O que se percebe é que o entrave para tantas coisas referentes à vida organizacional está pautado em modelos mentais e comportamentos que geram um clima organizacional que pode ser tanto favorável quanto desfavorável à Gestão do Conhecimento. A abordagem da Economia de Comunhão, por meio da vivência dos seus princípios e valores, pode consistir, assim, em um caminho eficaz para a criação de uma cultura organizacional que promove modelos mentais e clima organizacional propícios à implantação e manutenção da Gestão do Conhecimento, tão fundamental para o desenvolvimento da sociedade como um todo, para a economia e para as organizações.

Referências:

DRUCKER, Peter F.. Uma era de descontinuidade: orientações para uma sociedade em mudança. Zahar Editores, 1970.

DALKIR, Z. Knowledge Managemet in theory and  practice. 2 nd. MIT Press: Cambridge, 2011.

 

Cláudia Herrero Menegassi é Doutora em Administração, Economista e Administradora de formação, Docente do Mestrado em Gestão do Conhecimento nas Organizações no Centro Universitário de Maringá (Unicesumar) e pesquisadora do Instituto Cesumar de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICETI).