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A força do empreendedorismo feminino

10/06/2018

Crescer testemunhando o empenho cívico dos pais gerou em Simona Rizzi, italiana da região de Gênova, um forte senso de responsabilidade pelo próximo e pela comunidade. Por isso, do ensino médio à faculdade de Letras, ela sempre procurou conciliar os estudos com o voluntariado social. Nessa trajetória, além da formação acadêmica e do espírito empreendedor, adquiriu uma certeza: sua vida profissional deveria estar a serviço dos mais necessitados.

O primeiro passo foi a aprovação em um concurso público logo após a formatura, para trabalhar como educadora escolar no apoio à integração de crianças portadoras de deficiências. Foi nesse trabalho que ocorreu um encontro que mudaria sua vida. “Uma de nossas colegas de trabalho falou sobre algumas pessoas que trabalhavam em uma cooperativa há vários anos, cuidando de pessoas com deficiência. Encontrá-los foi definitivo. Eles nos deram um espaço de trabalho, nos dedicaram tempo e compartilharam a própria experiência. Assim nasceu a nossa cooperativa [Il Sentiero di Arianna], a partir de uma dádiva, de um gesto gracioso que abraçamos e depois replicamos. Mais tarde, soubemos que esse gesto estava enraizado na Economia de Comunhão”, contou a italiana durante uma conferência na embaixada italiana no Vaticano, no início de maio.

Fundada em 1996, a cooperativa foi formada inicialmente por nove jovens que juntaram todos os recursos que tinham e os reinvestiram em treinamentos e no desenvolvimento da empresa. Hoje o negócio social tem mais de 130 membros, 85% deles mulheres. “Quanto mais seguimos os valores da Economia de Comunhão, mais nossas cooperadas se desenvolveram e deram valor a toda a comunidade. Quanto mais enchemos nossas mentes
com palavras como trabalho, dignidade inata da pessoa humana, reciprocidade, formação, assistência mútua, mais conseguimos superar os inevitáveis momentos críticos. A força do empreendedorismo feminino tem sido crucial” afirmou a empreendedora.

Casada e mãe de dois filhos, Simona Rizzi preside, desde 2008, um consórcio do Gruppo Tassano, uma rede de cooperativas sociais que também opera de acordo com os princípios da EdC e emprega cerca de 700 pessoas no setor de serviços sociais, bem-estar e colocação profissional para pessoas desfavorecidas. Ser uma empreendedora de comunhão significa, para ela, “ser acolhedora, respeitosa, coerente, protetora dos recursos naturais, conectada aos outros e, ao mesmo tempo, livre. Uma pessoa pode ser ela mesma em tempos e lugares diferentes, e isso vale para o mundo dos negócios”.

“Por meio das redes nacionais às quais pertencemos como cooperadores, estamos trabalhando em temas de desenvolvimento baseados em valores éticos, respeitadores do ser humano e do meio ambiente. Através da Associação Italiana por uma Economia de Comunhão (Aipec), encontramos empresas e empresários que pertencem a diferentes setores, mas compartilham o mesmo senso de responsabilidade social. Juntos, estamos comprometidos em apresentar um novo modelo econômico que seja inclusivo, solidário e baseado no desenvolvimento sustentável”, concluiu Simona.

Por Daniel Fassa – Matéria publica na Revista Cidade Nova de junho.