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Economia de Francisco: pessoas e empresas com propósito são protagonistas de uma nova economia

23/10/2020
Como parte do percurso de conexões em preparação ao evento Economia de Francisco, a Associação Nacional por uma Economia de Comunhão realizou o terceiro encontro da série “Conexão Economia de Francisco-Brasil: juntos por um novo pacto global.

Na manhã da última terça-feira, 20 de outubro, a Economia de Comunhão convidou lideranças e parceiros da Artemísia para uma conversa repleta de propósito sobre as dores da desigualdade e as soluções do empreendedorismo de impacto. O evento fez parte do ciclo de encontros virtuais “Conexão Economia de Francisco Brasil: juntos por um novo pacto global”.

Juntos, os participantes demonstraram, não apenas com palavras, escuta e diálogo, mas principalmente com exemplos concretos, que a economia é um espaço privilegiado para galgarmos uma mudança cultural e social por um sistema mais justo, inclusivo e sustentável.

“Pessoas com propósito, criam empresas com o mesmo propósito e geram uma cultura que poderá sustentar grandes mudanças institucionais, potencializando a regeneração da economia e maior justiça social”, reforçou a este respeito Maria Helena Faller, presidente da Anpecom, ao abrir o evento on-line.

Duplo objetivo

Diretora executiva da Artemísia, instituição pioneira no Brasil em empreendedorismo de impacto, Maure Pessanha, contrastou dados preocupantes da desigualdade no país com a multiplicação crescente de negócios que endereçam seus produtos e serviços pela resolução de problemas sociais e ambientais ao mesmo tempo em que não deixam de ganhar dinheiro. “Existe um ecossistema voltado para este duplo objetivo: ganhar dinheiro e contribuir para a diminuição das desigualdades”, destacou.

Sem deixar de dar a devida importância para as políticas públicas, Maure destacou ainda diversos negócios de impacto, além de inovações sociais e tecnológicas que têm levado outra perspectiva para o empreendedorismo nas periferias do Brasil, possibilitando o enfrentamento da condição de vulnerabilidade social e uma renda complementar para as famílias das comunidades. Para Maure, muitas dessas iniciativas deslancharam na pandemia e devem continuar a existir.

Aliás, a pandemia foi mesmo uma catalisadora de mudanças e agora o ecossistema de impacto tem o desafio, junto à sociedade civil, para que tanto os problemas que foram escancarados, como as soluções que foram encontradas, tão inovadoras e tão eficientes em curto espaço de tempo, não regridam ou desapareçam.

Renata Biselli, liderança no Banco Santander para Soluções em Sustentabilidade apresentou dados impactantes, sob essa perspectiva, sobre o movimento pela cultura de doação. O “Monitor de Doações” computou cerca de 6 bilhões doados no período da pandemia, de março até agora. Mais de 540 mil doadores entre pessoas físicas e jurídicas e mais de 530 campanhas em todo o Brasil. Só em lives de música, foram 17 milhões. “Qualquer doação importa. Se formos contar só com o setor financeiro, não chegaríamos nem na metade disso”.

economia de francisco

Impacto na quebrada

Parceiro da Artemísia há alguns anos, nascido e criado no Jardim Ângela, periferia da Zona Sul de São Paulo, o DJ Bola foi protagonista da A Banca, produtora cultural e social de impacto, e hoje está a frente da Articuladora de Negócios de Impacto da Periferia, ANIP, “um programa para fortalecer negócios de impacto que são e estão na periferia”, como ele mesmo destacou.

Bola não deixou de ressaltar os desafios do empreendedorismo de impacto nas comunidades periféricas: a falta de acesso a recursos para quem empreende, que muitas vezes empreende até mesmo por questões de sobrevivência; a falta empatia, conexão e adaptação entre o investimento proveniente do capital privado e os propósitos do empreendedor de periferia e sua comunidade; além da necessidade contínua de desconstrução de um estigma para provar que o “jeito” de empreender da periferia é diferente, mas também é certo.

Bola destacou o papel da ANIP neste processo de empatia entre o empreendedor de periferia e o investimento privado ao abrir portas para que outras organizações pudessem se conectar ao propósito e olhar para a periferia não como cliente, beneficiário ou usuário “mas sim como pessoas protagonistas dos processos de criação e inovação social para a base da pirâmide”, completou.

Impacto para o investimento

Criar um mundo em que o fluxo do dinheiro gere mais transformação social positiva é o propósito da Vox Capital, gestora de investimentos financeiros focada em negócios de impacto social, liderada por Gilberto Ribeiro, que também participou da conversa.

A Vox Capital faz a gestão de recursos tanto de investidores institucionais como de pequenos investidores interessados em causar impacto positivo. Os produtos se concentram em soluções empreendedoras de saúde, educação e serviços financeiros, setores “que estão na intersecção entre o que é um problema social muito relevante, mas ao mesmo tempo mercados importantes também nos quais empreendedores podem prosperar.”

Para exemplificar as ações da empresa enquanto soluções para a desigualdade de oportunidade, Gilberto compartilhou com os participantes do evento on-line o case de investimento com propósito realizado em 2015 na MagnaMed, uma fabricante nacional de ventiladores pulmonares para tratamento crítico de saúde.

Enquanto os concorrentes produziam ventiladores para cada tipo de perfil e com tempo de bateria compatível às necessidades de deslocamento de UTIs móveis americanas ou europeias, a MagnaMed tinha em seu portfolio um produto consistente com as necessidades brasileiras: possível de ser utilizado em crianças, adultos e idosos e com o dobro do tempo de bateria dos concorrentes, adaptado às nossas distâncias comuns entre hospitais e periferias.

“O mesmo equipamento que está na periferia de São Paulo ventilando pacientes do SUS, está também no Hospital Albert Einstein. A gente quer investir justamente nesses empreendedores que querem resolver problemas de todos, mas olhando especialmente pra esses 60% da população que não tem acesso ou está excluída da lógica de consumo”.

Ecossistema diverso

Enquanto o mundo dos negócios é dominado por lideranças masculinas, de alto poder aquisitivo e privilégios “de berço”, a atuação de organizações como a Artemísia, junto a empreendedores de periferia e parceiros, mostra que no fim do túnel há uma luz capaz de iluminar a diversidade na economia.

“Não acreditamos num ecossistema de negócio e numa economia nova com empreendedores de um tipo só, de empresas lideradas por homens brancos, privilegiados. Precisamos que o ecossistema de impacto seja diverso”, concluiu Maure.

O evento deixou clara a pertinência dessas atuações e agendas com a proposta do Economia de Francisco, que já é realidade no Brasil.

 

Assista a transmissão completa

 

Autor: Cibele Lana