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Uma nova cultura empresarial para gerar comunhão

24/09/2019
Cerca de 160 empresários e pessoas interessadas na EdC puderam refletir sobre como implementar uma nova cultura empresarial que cative e transforme acionistas, colaboradores e gestores em prol de ações de compartilhamento, seja dentro da empresa, individualmente e em todos os lugares.

Compartilhar bens e serviços espontaneamente e livremente é certamente a grande inovação social do século XXI e responsável por grandes mudanças no mercado e também de comportamentos.

Mas colado nessa boa notícia, ainda temos um mercado impregnado de ideologias, como a associação de igualdade social a regimes totalitários ou à própria ideia do ter versus o ser, que desde a infância nos acompanha como um questionamento existencial complexo: o sucesso vem do dinheiro? Como dizer não, se boa parte dos exemplos estampados na mídia e na sociedade dizem o contrário?

Mudar essas concepções depende muito de começarmos a enxergar as empresas como parte de uma comunidade global, por meio das quais é possível inovar e construir novas formas de fazer negócio.

Foram essas temáticas desafiadoras que permearam a programação do Fórum de Empreendedorismo, realizado no Centro de Convenções Mariápolis Ginetta, em São Paulo, no dia 20 de setembro.

 

Cerca de 160 empresários e pessoas interessadas na EdC puderam refletir sobre como implementar uma nova cultura empresarial que cative e transforme acionistas, colaboradores e gestores em prol de ações de compartilhamento, seja dentro da empresa, individualmente e em todos os lugares.

“A maior inteligência hoje é buscar eficiência, resultado, métricas, a partir de relações saudáveis respeitosas, a partir de empatia, porque a maior inteligência que temos é a coletiva”, destacou Maria Helena Faller, presidente da Associação Nacional da ANPECOM, em sua fala de abertura.

 

A EdC não está sozinha

E é justamente essa nova cultura que a EdC deseja propor, juntamente com outras iniciativas que também trabalham por uma economia mais justa, inclusiva e sustentável. 

Por isso, uma grande novidade deste ano foi abertura do Fórum, realizada por um membro da EdC, Maria Helena Faller, e um membro do Sistama B, João Bernardo Casali. 

A fim de aprofundar esse substrato cultural,  os participantes puderam escutar o exemplo de outras iniciativas que buscam influenciar positivamente o mundo dos negócios, visando uma sociedade mais sustentável e com menos desigualdade social.

Empreendedores como João Bernardo Casali, do Sistema B e fundador da Ionica, compartilharam suas experiências de empreendimentos focados em não mais ser “as melhores empresas do mundo, mas as melhores empresas para o mundo”, como desafiou Casali.

O Sistema B certifica empresas que atendem à uma metodologia e são aprovadas por seu triplo impacto: econômico, social e ambiental.

Workshops pela Comunhão

Os participantes também se dividiram em grupos menores e de interesse para dialogar em workshops com temáticas em práticas.

No primeiro, sobre empréstimos e financiamentos bancários no Brasil: desafios para o empreendedor, Paulo Starke, superintendente do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul – BRDE para os Estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, compartilhou com os empresários da EdC como funciona o sistema bancário brasileiro de financiamento para empreendedores. Dentre algumas dicas, Paulo sugeriu aos participantes que busquem bancos de fomento com propósito social e que evitem começar um empreendimento com endividamento total, mas que tenham parte do investimento ao menos.

A segunda oportunidade foi para conhecer mais sobre Negócios de impacto social e startups: tendências de mercado. “Fazer rápido, errar rápido e aprender rápido”. Foi assim que começou a conversa durante o workshop facilitado por Marcos e Júlio de uma grande startup de sistema de pagamentos digitais. Participantes dialogaram sobre como a cultura de uma startup tem grande influência no ecossistema, potencializando um impacto positivo na sociedade, atuando com energia, inteligência e integridade.

Rodolfo Leibholz conduziu o terceiro workshop intitulado Gestão disruptiva (e inovadora) e governança de Economia de Comunhão. iniciando pelo conceito da existência de um propósito interior, que se refere ao Ser da pessoa que faz a gestão, e um propósito exterior que se refere ao fazer, realizar o projeto. Todos os presentes compreenderam de forma prática que uma empresa pode fazer a diferença social e ser gerida de forma diferente a partir de métricas e auto avaliações voltadas ao seu propósito e de seus administradores, garantindo uma gestão humana.

Empresas que escolheram a cultura da comunhão

O dia foi marcado por cases de sucesso de empresários como Fabio Hideki Takara, idealizador e fundador da Firgun em São Paulo, Vandilson Alves fundador e diretor da Doalto na Bahia, Priscila Marola Steinbach e Diogo Steinbach fundadores de empreiteiras e imobiliárias em Santa Catarina e que apresentaram como fazem a experiência de empreender em família, além de João Bernardo Casali da Iônica e Paulo Egidio Hoffmeister diretor executivo na Unitur Agência de Viagens.

O fechamento do evento no sábado foi marcado pelos resultados do trabalho da Anpecom em todo o país, destacando o apoio a mais de 1400 pessoas em situação de vulnerabilidade econômica em seu programa Supera e o desenvolvimento de mais mais de 300 empreendedores pelo programa de fortalecimento de negócios de impacto Profor.

Durante sua fala, Fabio Takara, da Firgun, fez uma citação que parece resumir bem o espírito e o desejo dos empresários e pessoas reunidas nessa Conferência: “entre ganhar dinheiro e ajudar as pessoas, escolha fazer os dois”.

Autor: Cibele Lana